“Quero vender minha empresa. Por onde começo?” Essa é a pergunta que chega para a Valore Brasil com mais frequência. A decisão já foi tomada. Talvez seja o momento certo do mercado, talvez seja uma questão de planejamento de vida ou talvez um comprador tenha aparecido. O motivo importa menos do que o que vem agora.
A resposta que a maioria dos empresários não espera é: não pelo comprador. O processo de venda começa muito antes de qualquer conversa com qualquer interessado. Além disso, começar pela ordem errada é um dos erros que mais custa dinheiro ao empresário vendedor.
Neste artigo você vai entender o processo completo de venda de uma empresa, do primeiro passo até o fechamento, o que precisa estar pronto em cada etapa e como evitar os erros que fazem empresários deixarem valor na mesa.
Quero vender minha empresa: o que não fazer antes de começar
Antes de falar sobre o que fazer, vale clarear o que não fazer. Três erros acontecem com frequência logo no início e comprometem o resultado final.
Não fale com o primeiro comprador que aparecer sem estar preparado. Um comprador que aborda diretamente o empresário geralmente tem mais informação sobre o valor do negócio do que o próprio vendedor. Essa assimetria favorece o comprador na negociação. Por isso, antes de qualquer conversa, o empresário precisa saber qual é o valor real do negócio.
Não tente vender sozinho para economizar o honorário do advisor. O honorário de uma boutique especializada é pago com o valor adicional que ela consegue extrair da negociação. Empresários que vendem sem advisor deixam em média entre 20% e 40% do valor na mesa, muito mais do que qualquer honorário.
Não comece pelo advogado. O advogado é essencial no processo, mas sua função é proteger juridicamente o vendedor, não maximizar o valor da transação. Portanto, antes do advogado, o empresário precisa de um advisor especializado em M&A que estruture o processo e conduza a negociação de valor.
Passo 1: entenda o valor real antes de vender sua empresa
O primeiro passo de qualquer processo de venda é o valuation. Sem saber quanto a empresa vale, o empresário não tem parâmetro para avaliar se uma oferta é boa ou ruim e não tem argumento técnico para defender o número durante a negociação.
O valuation precisa ser feito por uma boutique especializada com metodologia reconhecida pelo mercado. O resultado é um laudo técnico que apresenta o valor da empresa calculado pelos métodos utilizados em transações reais, como o múltiplo de EBITDA e o fluxo de caixa descontado.
Esse laudo faz duas coisas importantes. Primeiro, confirma ou corrige o número que o empresário tinha na cabeça. Segundo, identifica os fatores que impactam o valor do negócio e que podem ser trabalhados antes de ir ao mercado.
Empresários que fazem o valuation com um a dois anos de antecedência têm a oportunidade de aumentar o valor do negócio antes de qualquer negociação. Empresários que fazem o valuation quando já têm um comprador interessado usam o laudo apenas para defender o preço, sem tempo de melhorar o que está sendo avaliado.
Passo 2: organize a empresa antes de abrir para compradores
Antes de ir ao mercado, a empresa precisa estar organizada para suportar o nível de escrutínio que qualquer comprador sério vai aplicar durante a due diligence. Essa organização envolve múltiplas frentes simultaneamente.
Documentação societária: contrato social atualizado, atas de assembleias e registros de alterações societárias nos últimos cinco anos. Além disso, comprovantes de regularidade junto à Junta Comercial precisam estar disponíveis.
Demonstrativos financeiros: balanços patrimoniais e demonstrações de resultado dos últimos três a cinco anos, de preferência auditados por contador independente. Os números precisam ser consistentes com as declarações fiscais entregues à Receita Federal.
Contratos: com clientes, fornecedores, locadores e colaboradores. Devem estar organizados, com datas de vencimento identificadas e cláusulas relevantes mapeadas. Contratos com clientes que representam parcela significativa do faturamento serão analisados com cuidado especial pelo comprador.
Obrigações trabalhistas e fiscais: certidões de regularidade, histórico de recolhimentos e mapeamento de qualquer contingência conhecida. O que o vendedor esconde nessa fase tende a aparecer durante a due diligence em condições piores.
Processos operacionais: compradores pagam menos por empresas que dependem exclusivamente do fundador. Por isso, é fundamental documentar como o negócio funciona de forma independente, com equipe capaz de operar sem o dono presente.
Passo 3: prepare os materiais de apresentação
Com o valuation concluído e a documentação organizada, o próximo passo é preparar os materiais que vão apresentar a empresa ao mercado.
O teaser
É um documento curto, de uma a duas páginas, que apresenta a empresa de forma anônima. Descreve o setor, o porte e os principais indicadores financeiros sem revelar o nome da empresa. O objetivo é despertar o interesse do comprador sem expor o vendedor. Compradores que demonstram interesse após o teaser assinam um Acordo de Confidencialidade antes de receber qualquer informação adicional.
O infomemo
É o documento completo de apresentação da empresa, entregue apenas após a assinatura do NDA. Contém a descrição detalhada do negócio, o histórico financeiro, as projeções para os próximos períodos e a análise da posição competitiva da empresa.
A qualidade do infomemo impacta diretamente a qualidade das ofertas recebidas. Um documento bem estruturado atrai ofertas mais sérias e mais próximas do valor pedido do que um material genérico ou mal organizado.
Passo 4: vá ao mercado com estratégia para vender sua empresa
Com os materiais prontos, começa a fase de abordagem de compradores. Aqui está um dos pontos onde a presença de um advisor faz a maior diferença.
O empresário sozinho conhece dois ou três possíveis compradores: um concorrente, um fornecedor, talvez um cliente maior. Uma boutique de M&A com atuação nacional, por outro lado, tem acesso a dezenas de compradores qualificados: fundos de private equity, grupos estratégicos, family offices e investidores internacionais com interesse no setor.
A diferença entre um comprador e vinte compradores não é apenas de quantidade. É de poder de negociação. Quando múltiplos compradores analisam a mesma oportunidade ao mesmo tempo, o medo de perder o negócio para um concorrente eleva naturalmente o nível das ofertas. Um único comprador na mesa dita as condições. Vinte compradores competindo pelo mesmo ativo colocam o vendedor no controle.
Além disso, a abordagem ao mercado deve ser feita de forma confidencial. O mercado saber que uma empresa está à venda antes do momento certo pode gerar insegurança em clientes, fornecedores e colaboradores, prejudicando o valor que está sendo negociado.
Passo 5: avalie as ofertas com critério técnico
As ofertas recebidas raramente são comparáveis diretamente. Um comprador oferece um valor mais alto com earn-out escalonado ao longo de três anos. Outro oferece um valor menor, mas com pagamento integral no fechamento. Um terceiro oferece uma estrutura mista com parte em dinheiro e parte em participação na empresa compradora.
Comparar essas ofertas exige análise financeira que vai além do número principal. Por isso, a boutique de M&A faz esse trabalho de análise comparativa e apresenta ao vendedor qual oferta representa o melhor resultado considerando todas as variáveis relevantes.
Passo 6: passe pela due diligence preparado
Depois que a oferta preferida é selecionada e a carta de intenções é assinada, começa a due diligence. O comprador e seus auditores vão analisar em profundidade tudo que foi apresentado durante a negociação.
Empresas que chegam preparadas, com o data room organizado e as informações completas e consistentes, passam por essa fase com o preço acordado intacto. Empresas despreparadas, no entanto, enfrentam questionamentos que viram argumento para redução de preço.
A boutique de M&A acompanha todo o processo de due diligence do lado do vendedor, respondendo às solicitações do comprador de forma estratégica e monitorando qualquer tentativa de usar as descobertas para renegociar o preço.
Passo 7: feche bem e entenda o que vem depois
O fechamento é a assinatura dos contratos definitivos e a transferência do valor acordado. No entanto, o processo não termina necessariamente nesse dia.
Cláusulas de earn-out podem manter o vendedor vinculado aos resultados da empresa por um a três anos após o fechamento. Mecanismos de price adjustment podem ajustar o valor final com base no capital de giro entregue. Cláusulas de escrow, por sua vez, podem reter parte do valor como garantia por um período determinado.
Entender e negociar bem cada um desses mecanismos antes da assinatura é parte fundamental do trabalho do advisor. Portanto, o cheque do fechamento raramente é a última palavra sobre o valor que o vendedor vai receber.
Quero vender minha empresa é talvez a decisão financeira mais importante da sua vida. É a única que você vai tomar uma única vez, contra compradores que fazem isso dezenas de vezes. Ter ao seu lado uma boutique especializada que já percorreu esse caminho centenas de vezes não é um custo. É o investimento com maior retorno de todo o processo.
Quanto tempo leva o processo de venda?
Um processo de venda bem conduzido leva em média de seis a doze meses, do início da preparação até o fechamento. Processos mais simples podem ser concluídos em quatro a seis meses. Processos mais complexos, com múltiplos compradores ou negociações internacionais, podem levar de doze a dezoito meses.
O empresário que subestima esse prazo e entra no processo com urgência tende a aceitar condições piores. A melhor venda é a que acontece no tempo certo, não na pressa do vendedor.
Como a Valore Brasil conduz o processo para quem quer vender minha empresa
A Valore Brasil é uma boutique independente de M&A com mais de 15 anos de atuação no mercado brasileiro, mais de R$ 4 bilhões em transações estruturadas e mais de 1.000 valuations realizados. Em cada processo de venda, um sócio atua diretamente do valuation ao fechamento.
O processo começa com um diagnóstico gratuito de cenário. Nessa etapa, avaliamos a empresa, o momento de mercado e as opções disponíveis para o empresário. Esse diagnóstico já entrega informações valiosas sobre o potencial de valor do negócio e os passos mais indicados para maximizar o resultado da transação.
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