O mercado brasileiro de fusões e aquisições fechou 2025 com um resultado que pede leitura cuidadosa. Em volume de transações, o número praticamente não mudou: 1.581 deals contra 1.582 em 2024, variação negativa de 0,1%, segundo a Pesquisa Fusões e Aquisições Q4 2025 da KPMG, publicada em março de 2026. Em valor financeiro, o avanço foi mais expressivo: US$ 51 bilhões, crescimento de 8% sobre o ano anterior, conforme o relatório anual da Bain & Company divulgado em janeiro de 2026. Estabilidade em quantidade, crescimento em qualidade e tamanho das operações. Esse é o retrato de 2025.
Acompanho esse mercado de perto há mais de 15 anos. Ao longo desse período, assessorei mais de 1.000 projetos de M&A e valuation em setores que vão de tecnologia e SaaS a indústria, saúde e agronegócio. O que os números de 2025 revelam não é estagnação, mas sofisticação. O mercado operou com maior seletividade: menos transações oportunistas, mais operações com racional estratégico claro, compradores mais exigentes e due diligences mais aprofundadas. Para o empresário que pensa em vender, esses dados definem o contexto em que sua empresa será avaliada.
Resposta rápida
Como foi o mercado de M&A no Brasil em 2025?
O mercado brasileiro de fusões e aquisições encerrou 2025 com 1.581 transações e volume financeiro de aproximadamente US$ 51 bilhões, crescimento de 8% em relação a 2024, segundo KPMG e Bain & Company. O resultado demonstrou resiliência em ambiente de Selic a 15%, incertezas fiscais e instabilidade geopolítica global.
Destaque estrutural: Fundos de private equity e venture capital ampliaram participação de 43% para 50% das transações. Setor líder em valor: Energia e Renováveis respondeu por 53% do volume financeiro total dos deals.
Neste artigo você vai ler:
- →Os números gerais do mercado de M&A no Brasil em 2025
- → A dinâmica semestral: queda e recuperação
- → Setores mais ativos em fusões e aquisições
- → Perfil dos compradores: quem adquiriu em 2025
- → O avanço expressivo do private equity
- → Capital estrangeiro: crescimento relevante
- → Middle market: o segmento mais aquecido
- → O impacto real dos juros nas transações
- → Implicações do mercado de M&A 2025 para empresários
- → O que esses dados significam para fundadores com faturamento acima de R$ 50 milhões
- → Como a Valore Brasil atua nesse mercado
- → Perguntas frequentes sobre M&A no Brasil em 2025
Os números gerais do mercado de M&A no Brasil em 2025
A Pesquisa Fusões e Aquisições Q4 2025 da KPMG, publicada em março de 2026, registrou 1.581 transações no Brasil ao longo do ano. O volume financeiro total alcançou aproximadamente US$ 51 bilhões, crescimento de 8% sobre 2024, segundo o relatório anual da Bain & Company divulgado em janeiro de 2026. Em termos regionais, o Brasil manteve a liderança na América Latina em valor de negócios, seguido pelo México, conforme a Bain. No cenário global, o mercado de M&A registrou mais de US$ 4,9 trilhões em 2025, expansão superior a 40% sobre o ano anterior, configurando o segundo maior nível de atividade da história do setor.
O dado estrutural mais relevante dessa edição da pesquisa KPMG é o crescimento expressivo das transações envolvendo fundos de private equity e venture capital, que ampliaram sua participação de 43% para 50% do total de deals do ano. Pela primeira vez, os fundos responderam por metade de todas as transações realizadas no Brasil. Para o empresário de médio porte, essa informação tem impacto direto: o universo de potenciais compradores cresceu e se diversificou de forma relevante.
Dados consolidados do mercado de M&A Brasil 2025
A dinâmica semestral: queda e recuperação
O ano de 2025 não foi linear. O primeiro semestre registrou retração de 5% no número de transações em relação ao mesmo período de 2024, segundo a KPMG. A combinação de Selic elevada, indefinições fiscais e maior aversão ao risco de compradores pressionou o ritmo das negociações. Foram 330 operações no primeiro trimestre e 409 no segundo, totalizando 739 no primeiro semestre, conforme os relatórios trimestrais da KPMG.
O segundo semestre compensou com força. O terceiro trimestre se destacou como o melhor do ano, com 425 transações entre julho e setembro, sendo 203 ligadas a private equity e venture capital, segundo a KPMG. Esse padrão de aceleração no segundo semestre confirma uma característica estrutural do mercado de M&A que observo há anos na prática: quando as expectativas se acomodam, mesmo em cenário de juros altos, o pipeline represado no primeiro semestre se converte em deals fechados no segundo. O mercado de M&A opera com lógica própria e não depende de um ambiente macroeconômico ideal para funcionar.
Transações por trimestre — Brasil 2025
1º Trimestre
330
▼ 6% vs. 2024
2º Trimestre
409
▼ 5% no semestre
3º Trimestre
425
203 PE/VC
4º Trimestre
417
▲ 4% no semestre
Fonte: KPMG, Pesquisa Fusões e Aquisições Q1–Q4 2025. 4º trimestre estimado por diferença (1.581 – 1.164).
Ponto-chave: A variação entre primeiro e segundo semestre de 2025 ilustra por que o timing de um processo de venda importa tanto quanto a qualidade da empresa. Iniciar a preparação no primeiro semestre e ir ao mercado no segundo, quando o pipeline de compradores está mais ativo, é uma estratégia que vejo funcionar consistentemente nos processos que conduzimos na Valore Brasil.
Setores mais ativos em fusões e aquisições
A distribuição setorial de 2025 revela os vetores estruturais que moveram o mercado. A tecnologia manteve a liderança pelo terceiro ano consecutivo, concentrando a maior parte das transações em volume, segundo a KPMG. Dentro desse segmento, os destaques foram software B2B, fintechs, plataformas de gestão e empresas com receita recorrente baseada em SaaS. O setor de Energia e Renováveis foi o de maior peso financeiro, respondendo por 53% do valor total dos deals no Brasil, de acordo com a Bain & Company, reflexo direto da transição energética e do apetite crescente de investidores internacionais por ativos de infraestrutura verde no país.
Tecnologia e Software
Liderou em volume de transações pelo 3º ano consecutivo. SaaS, fintechs e software B2B foram os destaques.
Fonte: KPMG Q4 2025
Energia e Renováveis
53% do valor financeiro total dos deals. Leilões da ANEEL, Novo PAC e demanda global por descarbonização.
Fonte: Bain & Company, jan. 2026
Serviços Financeiros
Alta expressiva em 2025. Bancos adquirindo fintechs e fintechs crescendo por aquisições para ampliar portfólio.
Fonte: Bain & Company, jan. 2026
Agronegócio
Consolidação e ganho de escala. Interesse de fundos internacionais por ativos ligados à cadeia de produção alimentar.
Fonte: KPMG Q4 2025
Saúde
Clínicas, diagnóstico e healthtechs em alta. Consolidação regional e expansão de redes de saúde privada.
Fonte: Portal Fusões & Aquisições
Infraestrutura
Venda de ativos maduros para financiar novos projetos. PPPs e concessões atraindo capital estrangeiro de longo prazo.
Fonte: KPMG Q4 2025
A concentração geográfica das operações também é um dado relevante: São Paulo respondeu por 52% dos deals, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro, segundo dados da KPMG. O Sudeste e o Sul concentraram mais de 70% das operações do ano. Esse dado não significa que empresas de outras regiões estão fora do radar dos compradores. Na Valore Brasil, já conduzimos transações envolvendo empresas do Centro-Oeste que atraíram compradores estratégicos nacionais e internacionais pela qualidade do ativo, independentemente da localização. Se você quer entender se sua empresa está em um setor com demanda ativa de compradores, converse com a nossa equipe pelo WhatsApp.
Perfil dos compradores: quem adquiriu em 2025
Empresas estratégicas nacionais dominaram as operações em 2025, respondendo pela maioria dos negócios, segundo dados da KPMG. São companhias que compram para crescer, entrar em novos mercados, adquirir tecnologia ou ganhar escala operacional. Para o vendedor, esse perfil tende a pagar mais pela sinergia percebida do que um comprador puramente financeiro, especialmente quando há processo competitivo bem conduzido entre múltiplos interessados.
Os Estados Unidos lideraram as aquisições estrangeiras no primeiro semestre, com 199 operações de estrangeiros adquirindo empresas brasileiras, alta de 12% sobre o mesmo período de 2024, segundo a KPMG. Ao longo de mais de 15 anos conduzindo processos de sell-side na Valore Brasil, observo que os processos com melhor resultado para o vendedor são sempre aqueles em que há competição real entre compradores de perfis diferentes: um fundo de private equity competindo com um comprador estratégico do setor cria uma dinâmica de disputa que eleva o preço final de forma consistente.
O avanço expressivo do private equity
O dado estrutural mais relevante de 2025 foi o crescimento expressivo do private equity. Os fundos de PE e VC passaram a responder por 50% de todas as transações do ano, ante 43% em 2024, segundo a KPMG. Esse crescimento foi impulsionado pela reprecificação de ativos após o ciclo de juros elevados: com múltiplos mais atrativos, os fundos identificaram janelas de entrada especialmente no setor de tecnologia.
Como fundos de private equity avaliam empresas de médio porte
EBITDA positivo e crescente
Gestão independente do fundador
Mercado endereçável relevante
Potencial de consolidação setorial
Governança mínima auditável
Receita previsível e recorrente
Quer saber quais fundos e compradores estratégicos têm interesse no seu setor?
Falar com um especialistaCapital estrangeiro: crescimento relevante
O interesse de investidores estrangeiros por ativos brasileiros cresceu de forma relevante em 2025. As transações em que estrangeiros adquiriram empresas brasileiras avançaram 12% no primeiro semestre, passando de 178 para 199 operações, segundo a KPMG. Os Estados Unidos lideraram as aquisições estrangeiras, seguidos por Reino Unido, França e Espanha, conforme os relatórios trimestrais da KPMG de 2025.
Esse redirecionamento reflete a reconfiguração geopolítica global: o Brasil apresenta escala, ativos reais e estabilidade diplomática, combinação que atrai investidores internacionais em busca de diversificação. Para o empresário, o dado prático é que o universo de potenciais compradores para uma empresa brasileira bem posicionada é global. Na Valore Brasil, já conduzimos transações com compradores nos Estados Unidos, França, Espanha e Inglaterra. Acesse nosso histórico de transações realizadas para conhecer o perfil dos deals que conduzimos.
Middle market: o segmento mais aquecido
O middle market foi o destaque de crescimento do mercado de M&A em 2025. As operações de médio porte cresceram 10,1% no ano, segundo dados do Portal Fusões & Aquisições, em contraste com a estabilidade observada nas megaoperações. Esse crescimento é estrutural e reflete uma mudança de comportamento dos fundos de private equity: gestoras que antes focavam exclusivamente em empresas grandes passaram a olhar para o middle market com mais interesse, atraídas por múltiplos de entrada mais atrativos e menor competição por cada ativo.
O impacto real dos juros nas transações
A Selic a 15% ao ano foi o principal vetor restritivo do mercado de M&A em 2025. Juros elevados aumentam o WACC utilizado nos modelos de DCF dos compradores e, consequentemente, reduzem os valuations que eles estão dispostos a aceitar. As transações alavancadas recuaram de forma expressiva: compradores estratégicos com caixa próprio mantiveram o mercado ativo mesmo sem alavancagem disponível, segundo análise da PwC Brasil.
Como juros altos afetam o valuation da sua empresa
O efeito dos juros no valuation é direto e calculável. Em um DCF com WACC de 13%, uma empresa com EBITDA de R$ 5 milhões e crescimento projetado de 12% ao ano pode ser avaliada a um múltiplo de 7x. Com WACC de 17%, o mesmo modelo pode gerar um múltiplo de 5x a 5,5x. Isso representa uma diferença de R$ 7,5 milhões a R$ 10 milhões no valor final da empresa unicamente por conta da taxa de desconto. Esse impacto é real e precisa ser considerado pelo empresário ao escolher o momento de vender.
| Cenário | WACC | Múltiplo resultante | Valuation (EBITDA R$ 5mi) |
| Juros moderados | 13% | 7x | R$ 35 milhões |
| Juros elevados (Selic 15%) | 17% | 5x — 5,5x | R$ 25–27,5 milhões |
O ambiente de juros altos também impactou a velocidade e a profundidade das due diligences. Empresas com demonstrações financeiras organizadas, EBITDA ajustado documentado e governança mínima fecharam transações mais rapidamente e com menor exposição a renegociações de preço durante a due diligence. O serviço de Gestão Baseada em Valor da Valore Brasil existe para preparar empresas exatamente para esse padrão de exigência.
Implicações do mercado de M&A 2025 para empresários
Quatro conclusões práticas emergem do panorama de 2025, baseadas nos dados de KPMG e Bain & Company, e validadas pela minha experiência conduzindo processos de M&A ao longo desse período.
01
M&A opera independente do ciclo de juros
Mesmo com Selic a 15%, foram realizadas 1.581 transações. Compradores ativos não param porque os juros sobem: eles ficam mais seletivos.
02
PE/VC ampliou o universo de compradores
O crescimento de PE/VC para 50% das transações ampliou significativamente o universo de compradores disponíveis para empresas de médio porte.
03
Capital estrangeiro é uma realidade acessível
O crescimento de 12% nas aquisições estrangeiras criou uma nova categoria de compradores que o empresário raramente alcança por conta própria.
04
Preparação define o preço mais que o volume
Em mercado seletivo, a preparação da empresa e a qualidade do processo de venda determinam o preço final de forma mais decisiva do que o número de transações do ano.
O que esses dados significam para fundadores de empresas que faturam R$ 50 milhões ou mais
Empresas com faturamento acima de R$ 50 milhões estão no centro do mercado de M&A brasileiro em 2025. Esse perfil reúne as três condições que os compradores mais ativos procuram: tamanho suficiente para justificar o investimento de um fundo de private equity, EBITDA que permite modelagem de retorno em horizonte de 5 a 7 anos e complexidade operacional que demanda assessoria especializada para conduzir o processo de venda com método. Se você opera nesse patamar, o mercado está olhando para você, quer você esteja olhando para ele ou não.
Você está no radar de múltiplos perfis de compradores
Fundos de PE, compradores estratégicos nacionais e investidores estrangeiros competem pelo mesmo perfil de ativo. Isso é poder de negociação.
A due diligence será mais aprofundada
Em 2025, o rigor nas due diligences aumentou. Empresas com contabilidade organizada e governança documentada fecham mais rápido e com menor renegociação de preço.
O timing importa mais do que parece
A janela de juros altos comprime valuations via WACC. Empresas que iniciam a preparação agora podem ir ao mercado em um ciclo mais favorável com valuations superiores.
Processo competitivo é o que maximiza o preço
Com múltiplos perfis de compradores ativos, a assessoria M&A para médias empresas que conduz um processo competitivo com vários interessados simultâneos gera o melhor resultado para o vendedor.
Como a Valore Brasil atua nesse mercado
A Valore Brasil é uma boutique de M&A fundada em 2009, com mais de 15 anos de atuação e mais de R$ 4 bilhões em transações assessoradas em setores como tecnologia, SaaS, ERP, indústria, construção, saúde, agronegócio e varejo. Atuamos exclusivamente em um lado por transação: ou o vendedor, ou o comprador, nunca os dois ao mesmo tempo. Quando representamos um empresário em como vender minha empresa no Brasil, nosso único objetivo é maximizar o valor que ele recebe e proteger seus interesses em cada etapa do processo.
Nossa metodologia cobre todas as etapas do processo de venda: valuation com múltiplos setoriais atualizados e DCF fundamentado, preparação dos materiais do deal (teaser e infomemo), roadshow competitivo com compradores qualificados do Brasil e do exterior, negociação da LOI, acompanhamento durante a due diligence e suporte até o closing. Mantemos relacionamentos ativos com fundos de private equity e compradores estratégicos nos principais setores do mercado brasileiro. Conheça o serviço de sell-side da Valore Brasil.
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Perguntas frequentes sobre M&A no Brasil em 2025
Aviso importante
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações, dados e análises apresentados não constituem assessoria financeira, jurídica ou de investimento. Decisões sobre venda, compra ou avaliação de empresas envolvem variáveis específicas de cada negócio e requerem análise técnica individualizada. Antes de tomar qualquer decisão relacionada a processos de M&A ou valuation, consulte profissionais especializados e qualificados. A Valore Brasil está disponível para conduzir essa análise com base na situação real da sua empresa, entre em contato pelo WhatsApp.
O mercado esteve ativo em 2025. Compradores estratégicos e fundos de private equity seguem com apetite real por empresas bem preparadas. A pergunta que o empresário precisa responder não é se existe mercado, mas se sua empresa está pronta para competir pela atenção dos melhores compradores disponíveis.
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